Como as marcas erram ao segmentar as pessoas por gerações?

Como as marcas erram ao segmentar as pessoas por gerações?

Você provavelmente já ouviu isso por aí:

“A Geração Z não gosta de trabalhar.”
“Millennials postam muito nas redes sociais.”
“Boomers são super fiéis às marcas.”

Esse tipo de afirmação já foi repetida tantas vezes que muitas vezes acreditamos que essas características e comportamentos são naturais, ou até genéticos.

A crença de que esses padrões são uma verdade absoluta virou base para diversas planejamentos empresariais, campanhas de marketing e estratégias de venda.
Mas será que não estamos simplificando demais temas tão complexos como comportamento humano e hábitos de compra? O ponto em questão aqui é: será que segmentar por geração faz sentido?

Ultimamente, dividir as pessoas por geração tem sido cada vez mais frequente.Até porque, cada geração viveu um contexto único, crises, inovações e transformações culturais específicas.

Boomers cresceram em tempos de otimismo e estabilidade. A Geração X viu o mundo digital surgir. Os Millennials enfrentaram a crise de 2008 e o fim das certezas. A Geração Z cresceu no meio do caos climático e com acesso a internet.

Essas referências históricas importam, claro. Mas, será que elas explicam o forma de consumo das pessoas hoje?

A verdade é que a geração que você nasce não é um decreto de comportamento e estilo de vida.

Você pode ter 22 anos e amar papel e caneta. Pode ter 55 e preferir viajar e viver experiências ao invés de possuir bens.

Hoje, as escolhas de consumo são moldadas por uma mistura complexa de contexto, acesso, valores pessoais, identidade, tecnologia e experiências passadas.

Quando segmentamos só por idade, corre o risco de ignorar fatores essenciais como classe social, regionalismo, raça, letramento digital, estilo de vida, grau acadêmico, saúde mental, e até momentos de vida completamente diferentes entre pessoas da mesma idade. É muita coisa importante deixada de lado.

A consequência? Campanhas genéricas que tentam “falar com a geração Z”, mas parecem criadas por uma bolha de pessoas que nunca teve uma conversa profunda com um jovem de 20 anos. Ou marcas que acham que entenderam os Millennials só porque postaram uma piada com café e boleto. Parece assertivo, mas no fundo… é raso.

A boa notícia é que têm formas melhores entender o comportamento humano e ter mais resultados nas suas campanhas de marketing , seja para entregar produtos que as pessoas realmente precisam, melhorar a experiência do usuário ou simplesmente se relacionar. Mas pra isso, a segmentação precisar ter um olhar mais inteligente, baseada em microcomportamentos e tribos de afinidade.

Ou seja: em vez de perguntar “quantos anos essa pessoa tem?”, podemos perguntar:

  • O que ela valoriza?
  • Que problemas ela quer resolver?
  • Que tipo de conteúdo ela consome, e onde?
  • Como ela equilibra o trabalho e vida pessoal?
  • Quais hábitos fazem parte da sua rotina?

Hoje, um gamer vegano de 20 anos pode ter muita coisa em comum com uma advogada de 35 que também joga online e é vegana. Mas esse gamer pode ser completamente diferente de outro jovem da Geração Z que odeia jogos online e come carne três vezes ao dia.

Quando a gente olha pra afinidade, pra contexto, pra repertório, a pluralidade do consumidor começa a fazer sentido de verdade. E o que isso muda pra quem cria, vende ou comunica? Muda tudo.

Marcas que saem do “geracionalismo” e se conectam a tribos de afinidades com comportamentos reais, criam experiências mais inclusivas, mais honestas e mais relevantes, ao invés de fazer as pessoas se sentirem pressionadas a gostar de coisas que elas não vêem propósito.

Pra que tentar agradar uma geração inteira, se podemos falar com grupos que realmente compartilham dores, desejos e linguagens?

Ou seja: mais profundidade, menos estereótipo. Mais conexão real, menos tendências genéricas.

Então sim, segmentar por geração já foi útil. Mas hoje, pode ser limitante. O desafio agora é sair da bolha da idade e olhar pro ser humano, na sua complexidade, nas suas contradições, na sua pluralidade.

É nisso que acreditamos aqui na Super Plural.
E você, já caiu em algum estereótipo geracional? Ou já foi rotulado por algo que não tem nada a ver com você? Fique a vontade para compartilhar sua experiência.
Até a próxima!

Até a próxima!

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